Num blogue de conversa erótica, deparei-me com um comentário de um tal Fonseca, fazendo a apologia das festas de chavascal, com partilha de nabos e grelos entre as hostes. Era impagável e não resisti a comentar o comento, linha a linha. Eis o resultado:

Ai, valha-me Deus! Quanta alegria! Isto é tão divertido, que nem sei por onde começar. Gostei munto do comentário do Fonseca, que passo a comentar:
Fonseca: “Já estive numa festa privada, em que eramos 12 homens e 7 mulheres”
Triângulo Felpudo: Se com 19 pessoas em tremendo deboche, o certame lhe merece a classificação de “privada”, nem quero imaginar o dispositivo para uma festinha “pública”.
Fonseca: “Foi uma grande festa, em sigilo e o que lá se passou ficou lá dentro daquelas paredes”
Triângulo Felpudo: tudo aponta para que sim senhor; que a festa tenha sido grande, rija. Espero é que tenha sido numa cave, ou em localização remota, porque 19 manfios e fúrcias retouçando, sempre fazem um certo escarcel. A bem do sigilo, digo eu. Já agora, se os factos ficaram entre paredes, seria melhor abrir um pouco as janelas, porque 19 seres humanos praticando o chavascal em desenfreada celebração, sempre emanam odores desagradáveis. Não é por se ser sigiloso que se sua menos, ou o sémen perde o odor a docapesca. A bem da higiene, digo eu.
Fonseca: “Algumas das nossas mulheres concretizaram a fantasia de serem comidas por mais que um ao mesmo tempo.”
Triângulo Felpudo: Esta frase é de uma densidade semântica estonteante. Uma Amazónia de subtilezas literárias. Note-se, só “algumas” concretizaram a sua fantasia, ficando a maioria – deduzo – reduzida ao trauma e ao dildo. E as mulheres são “nossas”, o que abre espaço à especulação de se tratar de uma seita lisérgica. Em seguida, refere que as senhoras (as vossas) “concretizaram” as fantasias. Primo: se concretizaram, é porque tinham andado relutantes anteriormente, tendo finalmente perdido o nojo, o medo, ou as cuecas, Secundo: “fantasia” é o filme da Disney, ou os confetis no carnaval da escolinha. Ser-se enchouriçada por uma troupe de fonsecas entesoados, dificilmente poderá ser classificado de “fantasia” – é uma sugestão léxica que vos deixo. Não vale a pena estar com essas finesses.
Fonseca: “O que te pergunto é se tu já alguma vez experimentaste e, caso não, se tens essa fantasia de ser bem fodida por dois gajos.”
Triângulo Felpudo: A curiosidade é coisa salutar em crianças. Nos adultos, nem tanto, é simplesmente sociopata. Um tipo, depois de viver muntos anos, põe-se a experimentar e – é uma lei da Natureza – dá sempre merda. Depois, há a questão de colocar os termos “fantasia” e “fodida” na mesma frase, e eu não posso deixar de sentir pena do rato Mickey. Queria chamar a atenção para um detalhe, de vital importância: o Fonseca fala em ser “BEM fodida por dois gajos”. Fico muito contente por constatar o optimismo do Fonseca. “Nenhuma vulva se romperá, nenhum ânus sofrerá maus tratos” é a sua divisa na ordinarice. E depois, só lhe deseja, a si minha senhora, coisas boas na refrega: são dois gajos – não efebos, adónis, etc., que isso são paneleirices e aqui procura-se o mais primário chavascal. Dois fulanos ao calhas; pode ser ali o bigodes do táxi e o senhor Armindo, picheleiro na reforma.
Fonseca: “Imagina-te no meio de 2 homens que estão ali para te dar prazer, a dobrar.”
Triângulo Felpudo: Não, mas, não obrigado. De todas as formas, fica o registo militar da sua obrigação prazenteira. Não entendo o prazer de dobrarem a senhora; é coisa ayurvédica, para endireitar as costas?
Como vêm, é literatura de primeira água, o comento que o Fonseca nos oferece. Ficamos com a sensação de que a tal festinha seria como o salão de Madame Pompadour, mas com menos buracos desocupados.